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terça-feira, 31 de maio de 2011

EUA, Paquistão, perto de guerra aberta; Ultimato chinês adverte Washington Contra Ataque


EUA, Paquistão, perto de guerra aberta; Ultimato chinês adverte Washington Contra Ataque

Webster G. Tarpley, Ph.D.
TARPLEY.net
20 de maio de 2011

A China avisou oficialmente os Estados Unidos de que o ataque planeado de Washington sobre o Paquistão será interpretado como um ato de agressão contra Pequim. Este aviso frontal representa o primeiro ultimato estratégico conhecido recebido pelos Estados Unidos em meio século, desde o alerta Soviético durante a crise de Berlim de 1958-1961, e indica o grave perigo de uma guerra geral que cresce do confronto EUA-Paquistão.

"Qualquer ataque ao Paquistão seria interpretado como um ataque à China"

Em resposta a relatos de que a China tem pedido aos EUA para respeitarem a soberania do Paquistão, e na sequência da operação Bin Laden, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Ya afirmou a 19 de Maio numa conferência de imprensa o categórico pedido de Pequim para que “a soberania e a integridade territorial do Paquistão sejam respeitadas”. De acordo com fontes diplomáticas Paquistanesas citadas pelo Times of India, a China tem"avisado em termos inequívocos, que qualquer ataque contra o Paquistão seria interpretado como um ataque à China”.

Este ultimato teria sido entregue a 9 de Maio durante o diálogo Estratégico China-EUA e nas conversações económicas em Washington, onde a delegação chinesa foi liderada pelo vice-primeiro ministro Wang Qishan e pelo conselheiro de Estado Dai Bingguo. 1
As advertências chinesas estão implicitamente apoiadas pelos mísseis nucleares da nação, incluindo uma estimativa de 66 mísseis balísticos intercontinentais, alguns capazes de atacar os Estados Unidos , mais 118 mísseis de alcance intermédio, 36 submarinos lançadores de mísseis e numerosos sistemas de curto alcance.

O apoio da China é visto por observadores regionais como criticamente importante para o Paquistão, que de outro modo é apanhado entre as pinças dos EUA e da Índia: "Se a pressão dos EUA e da Índia continuar, o Paquistão pode dizer que "a China está por detrás de nós. Não se pense que estamos isolados, temos uma potencial superpotência connosco'", afirmou Talat Masood, um analista político e general paquistanês aposentado, à AFP. 2

O ultimato chinês veio durante a visita do primeiro-ministro Paquistanês Gilani, em Pequim, durante o qual o governo anfitrião anunciou a transferência imediata e sem custos de 50 caças estado-da-arte JF-17 ao Paquistão.3

Antes de partir, Gilani sublinhou a importância da aliança do Paquistão com a China, proclamando: "Estamos orgulhosos de ter a China como nosso melhor e mais confiável amigo. E a China terá sempre o Paquistão de pé a seu lado em todos os momentos .... Quando falamos desta amizade como sendo mais alta que os Himalaias e mais profunda que os oceanos, tal capta realmente a essência da nossa relação”. 4
Estas observações foram lamentadas por porta-vozes dos EUA, incluindo o senador republicano de Idaho Risch.

A estratégica crise latente entre os Estados Unidos e o Paquistão explodiu em toda a força a 1 de Maio, com a invasão unilateral e sem autorização do comando Americano acusado de ter morto o fantasmático Osama bin Laden num edifício em Abottabad, em flagrante violação da soberania nacional do Paquistão. O calendário destas operação de cosmética militar concebida para inflamar as tensões entre os dois países não tinha nada a ver com uma alegada Guerra Global ao Terror, e tudo a ver com a visita em final de Março ao Paquistão do príncipe Bandar, chefe do Conselho de Segurança Nacional da Arábia Saudita. Essa visita resultou numa aliança de fato entre Islamabad e Riad, com o Paquistão a prometer tropas para derrubar qualquer revolução colorida (Nota 1 tradutor) apoiada pelos EUA no reino, enquanto estende a proteção nuclear para aos sauditas, tornando-os menos vulneráveis ​​às ameaças de extorsão por parte dos EUA e abandono da monarquia rica em petróleo à mercê da simpatia de Teerão. Uma decisão conjunta por parte do Paquistão e da Arábia Saudita para sair fora do império dos EUA, independentemente do que pensamos destes regimes, representaria um golpe fatal para o decadente império dos EUA no sul da Ásia.

Em relação às afirmações dos EUA sobre o suposto ataque de 1 de Maio a Bin Laden, são uma massa de contradições desesperadas que mudam de dia para dia. A análise desta história é melhor deixá-la para críticos literários e escritores de crítica teatral. O único fato sólido e incontestável que emerge é que o Paquistão é o principal alvo dos EUA - o que intensifica a política anti-Paquistão pelos EUA, que está em vigor desde o infame discurso de Obama em Dezembro 2009 em West Point.

Gilani: Retaliação com força total para defender bens estratégicos do Paquistão

O aviso chinês a Washington veio no decurso da afirmação de Gilani, ao Parlamento do Paquistão, em que declara: "Que ninguém retire conclusões erradas. Qualquer ataque contra alvos estratégicos do Paquistão, às claras ou dissimulado, encontrará resposta à altura ....O Paquistão reserva-se o direito de retaliar com toda a força. Ninguém deve subestimar a determinação e a capacidade da nossa nação e das forças armadas para defender a nossa pátria sagrada". 5
Um aviso de retaliação com plena força vindo de uma potência nuclear, como o Paquistão tem de ser levado a sério, mesmo pelos agressores endurecido do regime Obama .

Os ativos estratégicos de que Gilani fala são as forças nucleares do Paquistão, a chave do país para a estratégia de dissuasão contra uma possível agressão pela Índia, instigada por Washington, no âmbito do acordo de cooperação nuclear EUA-Índia. As forças dos EUA no Afeganistão não têm sido capazes de esconder seu vasto plano para tentar capturar ou destruir as bombas e ogivas nucleares do Paquistão. De acordo com uma reportagem de 2009 da Fox News, "Os Estados Unidos têm um plano detalhado para se infiltrarem no Paquistão e defenderem o seu arsenal de ogivas nucleares móvel se o país estiver prestes a cair sob o controle dos Talibãs, Al Qaeda e outros extremistas islâmicos. "Esse plano foi desenvolvido pelo general Stanley McChrystal, quando liderou o Comando de Operações Especiais Conjuntas dos EUA em Fort Bragg, Carolina do Norte (Joint Special Operations Command) . JSOC, a força reportadamente envolvida na operação de Bin Laden é composta pelo Exército Delta Force, os SEALs da Marinha e "uma unidade de informação de alta tecnologia especial conhecida como Task Force Orange”. Unidades de pequena dimensão poderão controlar [mísseis nucleares do Paquistão], desativá-los, e depois recolocá-los em local seguro", afirmou uma fonte citada pela Fox. 6

Obama já aprovou o ataque furtivo às armas nucleares do Paquistão

De acordo com o London Sunday Express, Obama já aprovou uma agressiva ação ao longo destas linhas: "as tropas dos EUA serão colocadas no Paquistão, caso as instalações nucleares do país fiquem sob ameaça de terroristas para vingar a morte de Osama Bin Laden ... O plano, que seria ativado sem o consentimento do Presidente Zardari, provocou uma furiosa reação nos oficiais do Paquistão ... Barack Obama ordenaria tropas a lançarem-se em pára-quedas para proteger lugares de mísseis nucleares chave. Estas [tropas] incluem a base da força aérea de Sargodha HQ, local de aviões de combate F-16 com capacidades nucleares e pelo menos 80 mísseis balísticos. De acordo com um oficial dos EUA,"O plano já tem luz verde e o presidente já mostrou que está disposto a colocar tropas no Paquistão se achar que é importante para a segurança nacional". 7

A extrema tensão sobre este assunto destaca o risco diplomático e a incalculável loucura do ataque unilateral de Obama no 1º de Maio, que poderia facilmente ter sido interpretado pelos paquistaneses como o ataque há muito aguardado sobre suas forças nucleares. Segundo o New York Times, Obama sabia muito bem que estava a provocar guerra de tiros imediata com o Paquistão, e “insistiu que a força de assalto para a captura de Osama bin Laden na semana passada fosse grande o suficiente para lutar caso no seu caminho para fora do Paquistão fosse confrontado por oficiais de polícia local hostil e tropas ".

O tiroteio já começou

O tiroteio entre as forças dos EUA e do Paquistão intensificou-se na terça-feira 17 de Maio, quando um helicóptero da OTAN EUA violou o espaço aéreo paquistanês no Waziristão. As forças paquistanesas mostraram elevado estado de alerta, e abriram fogo de imediato, com o helicóptero dos EUA a ripostar. Dois soldados num posto fronteiriço paquistanês na fronteira na área de Datta Khel foram feridos. 8

A possível retaliação para esta incursão fronteiriça veio em Peshawar na sexta-feira, 20 de Maio, quando um carro-bomba, visou aparentemente como alvo um combóio de dois veículos do consulado dos EUA, mas não causou mortes ou ferimentos em americanos. Um espectador paquistanês foi morto e vários feridos. Noutra guerra de inteligência, a televisão Ary One revelou o nome do chefe da estação da CIA em Islamabad, o segundo espião de topo residente dos EUA que teve o seu paradeiro revelado em menos de seis meses.

O enviado dos EUA Grossman rejeita os Apelos paquistaneses para pôr termo às violações fronteiriças. 

O Representante Especial dos EUA para o Afeganistão e Paquistão, Marc Grossman, substituto de Richard Holbrooke, em 19 de Maio rejeitou arrogantemente os apelos paquistaneses para que se garanta que operações unilaterais ao estilo Abottabad não mais seriam efectuadas no Paquistão. 9
Ao recusar-se a oferecer essas garantias, Grossman alegou que oficiais paquistaneses nunca haviam exigido o respeito pela sua fronteira nos anos mais recentes.10

No meio desta crise estratégica, a Índia avançou com manobras militares programadas manifestamente provocadoras visando o Paquistão. Este é o "Vijayee Bhava" (Sejamos Vitóriosos), exercício realizado no deserto de Thar do norte do Rajastão. Este exercício Blitzkrieg atômico-biológico-químico envolve os “Second Armored Corps,” considerado o mais crucial das três formações de ataque principal do Exército indiano encarregado de cortar o Paquistão virtualmente em dois durante uma guerra total" 11.

A Nação: O Contragangue Pseudo-Talibã CIA-RAW-Mossad

(nota 2 do tradutor)

Uma maneira de fornecer a provocação necessária para justificar um ataque EUA/Índia ao Paquistão seria através de um aumento das ações terroristas atribuíveis aos chamados talibãs. Segundo a mídia paquistanesa, a CIA, a Mossad, o RAW Hindu (Ala de Pesquisa e Análise) criaram sua própria versão dos talibãs, sob a forma de um countragangue terrorista que eles controlam e dirigem. De acordo com um relato, agentes da "Central Intelligence Agency (CIA) infiltraram-se nas redes Talibã e da Al-Qaeda, e criaram a sua própria força Tehrik-e-Talibã Paquistão (TTP), a fim de desestabilizar o Paquistão." O ex-comandante da Região do Punjab do Inter-Service Intelligence (ISI) paquistanês, o brigadeiro-general aposentado Aslam Ghuman, comentou: "Durante a minha visita aos EUA, percebi que a agência de espionagem israelita Mossad, em conivência com a RAW agência indiana, sob a supervisão direta da CIA, planearam a desestabilização do Paquistão a qualquer custo”. 12
Foi este contragangue o responsável pelos dois atentados da semana passada no Waziristão, que matou 80 policias paramilitares?
De acordo com a mesma fonte, a inteligência Russa "revelou que o contratante da CIA Raymond Davis e a sua rede providenciaram agentes da Al-Qaeda com armas químicas nucleares e biológicas, para que as instalações dos EUA pudessem ser atingidas e o Paquistão ser considerado culpado ...". Davis, um veterano da JSOC, foi preso pelo assassinato de dois agentes do ISI, mas em seguida libertado pelo Governo paquistanês após uma choradeira por parte do Departamento de Estado.

CIA afirma o novo patrão da Al Qaeda vive no Waziristão

Se os EUA precisarem de um novo pretexto para invasões adicionais, será fácil citar a alegada presença no Waziristão do Saif al-Adel, agora citado pela CIA como provável sucessor de Bin Laden como chefe da Al Qaeda.13
É sem dúvida conveniente para as intenções agressivas de Obama que se possa alegar que Saif al-Adel está a residir próximo do que é agora a mais quente fronteira em todo o mundo, e não em Finsbury ou Flatbush.

Na sequência da incursão não autorizada de 1 Maio pelos EUA, o chefe militar paquistanês General Kayani emitiu o seu aviso de que semelhantes "desventuras" não poderiam ser repetidas, enquanto anunciava que o pessoal dos EUA dentro do Paquistão seria drasticamente reduzido. Na estimativa de uma fonte do ISI, há atualmente cerca de 7.000 agentes da CIA no país, muitos deles desconhecidos do governo paquistanês.
A partilha de informações entre EUA-Paquistão, foi reportadamente reduzida. Em resposta às reações de Kayani, a operação de propaganda da CIA conhecida como Wikileaks mais uma vez mostrou a sua verdadeira natureza ao tentar desacreditar o comandante do Paquistão, com duvidosos relatórios de embaixadas americanas em como ele havia pedido mais ataques de drones Predator (nota 3 do tradutor), e não menos, nos últimos anos.

Especialmente após o discurso de Obama em West Point, a CIA tem usado ataques de drone Predator para massacrar civis com o objetivo de fomentar uma guerra civil dentro do Paquistão, levando a uma desintegração do país ao longo das linhas étnicas do Punjab, Sind, Baluquistão, e Pustunistão. O objetivo geopolítico é o de destruir o potencial do Paquistão para ser o corredor energético entre o Irão e a China. Selig Harrison surgiu como um defensor nos EUA para a secessão do Baluquistão.

Desde 1 de Maio, foram reportados seis ataques de drones Predator dos EUA que massacraram cerca de 42 civis paquistaneses, incitando a opinião pública a um frenesim de ódio anti-americano. Em resposta, uma sessão conjunta do parlamento paquistanês aprovou por unanimidade em 14 de Maio a exigência do fim dos ataques com mísseis americanos, apelando ao Governo para cortar a linha de abastecimento da OTAN para o Afeganistão se os ataques continuarem.14
Uma vez que a linha de abastecimento de Karachi para Khyber fornece dois terços dos bens necessários aos invasores do Afeganistão, tal corte causaria o caos entre as forças da NATO. Tudo isto aponta para a loucura inerente de provocar guerra com o país no qual a sua linha de abastecimentos passa.

EUA querem usar o chefe talibã Mullah Omar contra o Paquistão

O Departamento de Estado retirou todas as condições prévias para negociar com os talibãs desde Fevereiro, e os EUA são agora reportados pelo Washington Post como negociando com emissários do mulá Omar, o líder zarolho lendário do Quetta Shura ou conselho dirigente dos Talibã.
É evidente que os EUA estão a oferecer uma aliança aos talibãs contra o Paquistão. O enviado regional dos EUA Grossman é hostil aos paquistaneses, mas quando se trata dos Talibãs,  tem sido apelidado de "Sr. Reconciliação”. 15
Por outro lado, diz-se que os EUA estão determinados a assassinar o líder da rede Haqqani usando um ataque do tipo Bin Laden. Os paquistaneses estão igualmente determinados a manter Haqqani como um aliado.

Se a China está por detrás do Paquistão, então pode dizer-se que a Rússia está por detrás da China. Ansioso pela próxima reunião de 15 de junho da Organização de Cooperação de Xangai, o presidente chinês Hu elogiou as relações sino-russas como estando "num ponto alto sem precedentes", com um "ingrediente estratégico evidente." Numa conferência de imprensa esta semana, o presidente russo Medvedev foi obrigado a reconhecer indirectamente que a tão apregoada "renovação" de Obama com a Rússia produziu poucos resultados, já que o programa de mísseis dos EUA ABM na Roménia e no resto da Europa de Leste está, obviamente, dirigido contra a Rússia, significando que o tratado START é de duvidoso valor, aumentando assim o espectro de uma "nova Guerra Fria”. Dada a agressão da NATO contra a Líbia, não haveria nenhuma resolução da ONU contra a Síria, disse Medvedev. Putin esteve sempre certo, e Medvedev está tentando imitar Putin para salvar alguma chance de permanecer no poder.

Estamos em julho de 1914?

A crise que levou à Primeira Guerra Mundial começou com os assassinatos de Sarajevo de 28 de junho de 1914, mas a primeira grande declaração de guerra não ocorreu senão em 1 de Agosto. No mês intercalar de Julho de 1914, grande parte da opinião pública europeia recuou para um transe de sonho, de uma idílica e Holywoodesca ilusão elegíaca, mesmo quando a crise mortal se intensificou. Algo semelhante pode ser visto hoje.
Muitos americanos imaginam afectuosamente que a suposta morte de Bin Laden assinala o fim da guerra contra o terrorismo e da guerra no Afeganistão. Em vez disso, a operação Bin Laden deu claramente início  a uma nova emergência estratégica. Forças que se opunham à guerra do Iraque, da MSNBC e muitos liberais de esquerda do movimento de paz, apoiam de modo variado a agressão sangrenta de Obama na Líbia, ou celebrando-o mesmo como um senhor da guerra mais eficaz do que Bush-Cheney, por causa de seu suposto sucesso à custa de Bin Laden. Na verdade, se alguma vez houve um tempo para nos mobilizarmos para parar uma guerra nova e mais vasta, é agora.


Nota 1 tradutor-- revolução colorida é uma revolução falsa promovida por serviços secretos a fim de desestabilizar a região.

Nota 2 tradutor – RAW: “Research an Analysis Wing” são os serviços de inteligência da Índia e a Mossad de Israel.

Nota 3 tradutor-- Drones são Veículos Aéreos não Tripulados (VANT). Um desses veículos é chamado de Predator.

Referências

2 “China-Pakistan alliance strengthened post bin Laden,” AFP, May 15, 2011, http://www.sundaytimes.lk/index.php/analysis/7546-china-pakistan-alliance-strengthened-post-bin-laden
6 Rowan Scarborough,”U.S. Has Plan to Secure Pakistan Nukes if Country Falls to Taliban, Fox News, May 14, 2009.
7 “US ‘To Protect Pakistan,” London Sunday Express, May 15, 2011, http://www.express.co.uk/posts/view/246717/US-to-protect-Pakistan-
9 “US refuses to assure it will not act unilaterally,” http://thenews.jang.com.pk/NewsDetail.aspx?ID=15758
11 “Getting leaner and meaner? Army practices blitzkrieg to strike hard at enemy,” Times of India, May 10, 2011, http://articles.timesofindia.indiatimes.com/2011-05-10/india/29527731_1_three-strike-corps-army-and-iaf-transformational
12 “CIA has created own Taliban to wreak terror havoc on Pakistan, claims Pak paper,” ANI, May 12, http://my.news.yahoo.com/cia-created-own-taliban-wreak-terror-havoc-pakistan-091621821.html
13 “New al-Qaeda chief in North Waziristan,” May 19, 2011

ORIGINAL DO ARTIGO :

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

USA caminham para o seu declínio

Já não é a primeira vez que colocamos aqui um vídeo do brilhante economista Michael Hudson.
Resumo da entrevista


MH fala sobre o fim do dólar como moeda de reserva mundial que acontecerá na próxima cimeira dos  G20.
Não há hipótese dos EUA ganharem a actul guerra de moedas, pedindo à China que cometa suicídio económico como já conteceu com o Japão. Nomeadamente "os EUA querem que a China valorize a sua moeda, que espremam as suas companhias, que vão para a bancarrota para que nos possamos aproveitar à vossa custa, e que os nossos bancos especulem com a vossa moeda para que possam sair do problema em que estão."
Claro que os Chineses riem-se dessa pretensão Americana.

Por isso os EUA vão ter de desvalorizar o USD mas haverá uma invasão do USD em todos os paises para comprar as suas terras as suas empresas e as suas moedas. Teremos "O sistema financeiro americano e os bancos  actuando como um exército atacando as moedas estrangeiras."

Em relação ao G20
Não vai acontecer um acordo uma vez que não há penalidades por quebrá-lo. O que se vai ter são mais promessas quebradas que foi o que os EUA fizeram infelizmente na sua diplomacia durante os últimos 50 anos.

Pergunta: o G20 deu mais poder aos países emergentes, e tem havido mudança no poder que se reflecte nos corpos governativos.

MH: dar a um país voz no FMI é como dar a um embaixador um microfone e dizer-lhe podes ir gritar para Times Square. Não ha qualquer tipo de diferença. A filosofia do FMI é pro-EUA. Só estes têm poder de veto no FMI, e a filosofia deste é que para aumentar a quantidade de recursos tem de se reduzir os níveis de vida e essencialmente impôr austeridade.

Pergunta: E o G20 onde se encaixa aí.

MH: Não se encaixa. (Porque) Tem um corpo teórico que é baseado em austeridade económica para o resto do mundo e "almoço grátis" para os EUA.

MH continua que a balança de pagamentos dos EUA é devido a comércio, e o déficit é causado pela saída de capital dos EUA por gestores, e pelo deficit militar. E os chineses dizem "Nós temos estado a financiar o vosso deficit com os nossos 2,5 triliões de USD em troca de moeda estrangeira, e vocês dispendem o vosso orçamento em custos militares, com acções agressiva contra nós, põem os vossos aviões espiões a bombardear os nossos, interferem nas nossas àguas, querem que paguemos o vosso orçamento militar, para nos ameaçarem para pdermos fazer o que vocês querem? devem ser doidos.

Pergunta : uma vez que os EUA são o país com a maior dívida e a China o pais com maior crédito e os EUA confiam na China para financiar os seus 14 triliões de dívida, que trunfo pode ter o presidente Obama.

MH: Esse é o problema porque Obama não tem nenhum trunfo porque ele precisa do favor da China e de outros países: Brasil Russia e India. Dizem-lhes aceitem as nossas obrigações os nossos USD  ainda que nós não tenhamos maneira de vos pagar de volta, por favor aceitem-nos e deixem-nos comprar os vossos terrenos/empreendimento (real estate) as vossas companhias com dólares que não poderão ser pagos. O que se pode fazer é fazer um embrulho bonito e propôr -- os EUA --falar em equilibrio com os outros países. Mas estes poderão responder vocês não são equilíbrio,  vocês são a causa do desiquilíbrio. Porque é que não fazem o que nos dizem para fazermos? o FMI  diz aos outros países subam as taxas de juro se têm deficit. Vendam a vossa indústria, privatizem se têm deficit.

A China está a tratar as reservas de USD como se se tratasse de uma batata quente. Como é que se livram dela? eles querem fazer duas coisas. 1º querem reciprocar comprando companhias americanas, tal como os EUA quiseram comprar na China. Os EUA dizem-lhes não vos deixamos comprar aqui mas queremos comprar aí. Apesar de os Europeus terem comprado companhias nos EUA -- e outros paises amigos -- os EUA não permitem os chineses comprar. É por isso que os EUA vêm a China como um inimiga o potencial e está na lista de inimigos do pentágono.

OS EuA estão gastando USD no Iraque Afeganistão no Japão, e em múltiplas bases em todo o mundo que é uma das razões do deficit, e é disso que não se está a falar, enbora quando eu vou à China é disso que se fala.

Os EUA têm beneficiado de dois pesos e duas medidas. A dívida americano torna-se um "activo" para outros países. Quando os EUA dispendem mais que o que têm os outros países acabam por ficar com USD, e os EUA é o único país que uma balança deficitária e não aumentou as taxas de juro nem os impostos.

Pergunta: Isto é o que refre no seu livro Super Imperialism em que os EUA têm conseguido que os outros países financiem as guerras americanas. Como é que os americanos defendem isto.

MH principalmente por inércia. depois da segunda gerra mundial os EUA detinha a maior parte do ouro mundial e em 1950 tinham 80% do ouro mundial. Assim o dólar era tão bom como o ouro. Os outros países começaram a acumular dólares porque até 1971 podiam trocá-lo por ouro. Enquanto o dólar era transformável em ouro as pessoas não tinham moeda estrangeira.

Não ha maneira de os EUA pagarem aos governos de outros países  o seu deficit. Porque é um deficit militar de capital e de comércio. Por isso não há interesse que um país acumule dólares nos seus bancos centrais que não podem ser pagos.
E é um princípio matemático uma dívida que não pode ser paga não o será.

É por isso que a China negociou no passado mês- Outubro 2010?-- trocas de moedas com o Brasil, ìndia , Russia, Turquia e Malásia. Trata-se de fazer trocas sem usar o USD. E claro tendo em conta que não se pode investir nos EUA não existe qualquer vantagem em ter dólares.

Assim o efeito de imprimir mais USDs vai tornar a moeda numa moeda pária.
O próximo G20 na Coreia do Sul trará o fim do dólar, a questão é como se o enterra de forma educada. E claro que o poder dos EUA diminuirá